26 de setembro de 2026
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TikTok enfrenta primeiro julgamento nos EUA por alegações de vício e impacto na saúde de jovens

Um júri do Alabama, nos Estados Unidos, começa a analisar nesta segunda-feira o primeiro processo contra o TikTok a chegar a julgamento sobre os impactos da plataforma na saúde mental de adolescentes. O estado questiona o funcionamento do aplicativo e a forma como a empresa trata a segurança de usuários jovens.

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O julgamento acontece em um tribunal estadual de Montgomery e deve durar de duas a três semanas. A ação foi movida pelo procurador-geral do Alabama, Steve Marshall, e faz parte de uma série de processos semelhantes que envolvem pelo menos outros 27 estados e Washington, D.C.

adolescente sentada em uma praça olhando o celular.
Formato de rolagem infinita do TikTok é apontado em tribunal como o mecanismo mais viciante do mercado. – Imagem: Michele Ursi/iStock

O que está em discussão

O Alabama afirma que o fluxo contínuo de vídeos torna o TikTok altamente viciante e que o algoritmo direciona jovens para conteúdos cada vez mais intensos sobre violência e automutilação. Segundo o processo, esse funcionamento estaria relacionado à crise de saúde mental entre adolescentes e ao aumento dos atendimentos de emergência por automutilação no estado.

A ação também questiona os mecanismos usados para verificar a idade dos usuários e proteger menores. Entre os pontos levantados estão:

  • adolescentes podem informar a própria idade ao criar uma conta;
  • vídeos podem ser vistos sem a criação de uma conta, permitindo a coleta de dados sobre hábitos de visualização;
  • o recurso “Kids Mode”, voltado a usuários jovens, seria ineficaz diante dessas limitações;
  • o algoritmo poderia criar “bolhas de filtro”, levando adolescentes a conteúdos cada vez mais intensos sobre assuntos que despertam sua atenção.

O processo também questiona informações fornecidas pelo TikTok sobre a restrição de conteúdos sexuais e violentos para jovens e sobre o acesso do governo chinês aos dados de usuários americanos.

Redes sociais
Julgamento coloca em debate a responsabilidade das redes sociais na proteção da saúde mental dos jovens. – Imagem: Thanmano/iStock

Julgamento pode expor documentos internos do TikTok

O caso acontece em meio a uma onda de processos nos Estados Unidos sobre os efeitos das redes sociais sobre usuários jovens. O TikTok enfrenta milhares de ações movidas por indivíduos, distritos escolares e municípios, enquanto Meta, Snap e YouTube também são rés em parte dos processos.


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Esse movimento ganhou um novo capítulo no mês passado, quando a Meta fechou um acordo de US$ 17,1 bilhões (cerca de R$ 87 bilhões) com 47 estados, Washington, D.C., e territórios americanos. A empresa não admitiu irregularidades e concordou em mudar o acesso de adolescentes ao Instagram e ao Facebook. O acordo prevê ainda que US$ 5 bilhões (cerca de R$ 25,6 bilhões) dependam da adoção dos mesmos termos por TikTok, Snap e YouTube. O TikTok não se manifestou publicamente sobre o acordo.

No Alabama, o processo pede penalidades e outras medidas contra o TikTok. A empresa afirma que a segurança dos adolescentes foi uma prioridade no desenvolvimento da plataforma e sustenta que a Seção 230 da Lei Federal de Decência nas Comunicações a protege de responsabilidade pelo conteúdo publicado pelos usuários.

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O julgamento pode, portanto, trazer ao público documentos e informações sobre o funcionamento do TikTok que permaneceram sob sigilo em processos anteriores, além de colocar em discussão os limites da responsabilidade das plataformas na proteção de usuários jovens.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.


Fonte: olhardigital.com.br

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